Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na BMC Pregnancy and Childbirth em 2024 juntou onze ensaios e 1.239 gestantes para responder a uma pergunta prática, se praticar Pilates durante a gestação muda o tempo que o trabalho de parto leva. A resposta medida foi sim, e ela tem tamanho declarado. A fase ativa ficou 56,35 minutos mais curta entre quem praticou, com intervalo de confiança de 95% indo de 89,46 minutos a menos até 23,25 minutos a menos. A duração total do trabalho de parto caiu 93,93 minutos, com intervalo de 138,34 a 49,51 minutos a menos. Das 1.239 participantes, 602 estavam nos grupos que praticaram e 637 nos grupos de comparação.
E o estágio final do parto, muda?
Não. E este é o achado que quase não circula. O segundo estágio, que é a fase do puxo, aquela que o senso comum chama de hora de empurrar, teve diferença média de 0,11 minuto, com intervalo de confiança de 95% indo de 7,21 minutos a menos até 6,99 minutos a mais. Um intervalo que atravessa o zero significa que a diferença encontrada é compatível com nenhuma diferença. Ou seja, o que encurtou foi a parte longa e inicial do trabalho de parto, a fase de dilatação, e não a parte que a conversa popular imagina quando pensa em parto mais rápido. São sete ensaios e 1.135 mulheres medindo justamente esse trecho.
Vale saber o quanto os ensaios discordaram entre si, porque isso muda a leitura do número. A revisão traz esse desacordo em três medidas, 60,96% na fase ativa, 71,75% no segundo estágio e 61,97% na duração total. É desacordo alto, e ele permaneceu alto mesmo depois de os autores usarem o modelo estatístico que já assume que os estudos são diferentes uns dos outros. Na prática, os 56 minutos são a média de resultados que variaram bastante de um ensaio para o outro, e não um número que se possa prometer a uma pessoa específica.
Há três coisas que a revisão simplesmente não responde, e vale dizer quais são. Os estudos incluídos não relataram de forma sistemática taxa de cesárea, uso de analgesia peridural nem pontuação de Apgar do recém-nascido. Isso não quer dizer que o Pilates piore ou melhore esses desfechos. Quer dizer que essa pergunta não foi feita de maneira que permita somar os resultados. Quem quiser saber se a prática muda a chance de cesárea vai precisar esperar outro corpo de estudos, porque este não foi montado para isso.
O limite que os próprios autores colocam em primeiro lugar é curioso e importante para quem dá aula. Faltou, nos estudos primários, informação sobre a intensidade do Pilates aplicado. Somem-se a variação no momento em que a prática começou na gestação e a variação na duração das sessões. Traduzindo para o estúdio, a revisão diz que praticar mudou alguma coisa, mas não diz quanto, com que carga, a partir de que semana nem por quantas semanas. A dose, que é a primeira pergunta de qualquer instrutora, é exatamente o que não foi registrado.
Sobre segurança, a revisão registra que nenhum dos estudos incluídos relatou aumento de desfecho adverso de parto associado ao Pilates entre mulheres saudáveis e previamente sedentárias. É uma frase de ausência de sinal de dano no material analisado, e não um atestado. Nada disso substitui a avaliação de quem acompanha a gestação, e uma fase ativa mais curta não é, por si só, um parto melhor. O que o dado autoriza a dizer é mais modesto e mais honesto, entre gestantes que praticaram Pilates nesses ensaios, a fase mais longa do trabalho de parto durou menos, e a fase final durou igual.
Perguntas frequentes
A revisão é de 2026? Não. Ela foi publicada em 2024, na BMC Pregnancy and Childbirth, e reúne ensaios anteriores a essa data.
Quantos minutos, afinal? Fase ativa, 56,35 minutos a menos. Trabalho de parto total, 93,93 minutos a menos. Segundo estágio, sem diferença.
Serve para qualquer gestante? A revisão analisou mulheres saudáveis e previamente sedentárias. Gestação de risco, condição prévia e liberação para exercício são decisão de quem faz o acompanhamento clínico, não de quem lê uma meta-análise.
O que é meta-análise? Meta-análise é o método que combina os resultados de vários estudos parecidos num número só, para enxergar um efeito que cada estudo sozinho, por ser pequeno, não conseguiria mostrar com clareza.
Fontes
Tábata Moraes
Redatora · PILATES ARCHIVE
