Reformer, o tamanho real da evidência que existe sobre o aparelho

Reformer de madeira em primeiro plano dentro de estúdio claro, com a estrutura, o carro deslizante e as alças visíveis, e uma pessoa deitada sobre o aparelho

O reformer ocupou o centro da conversa comercial do Pilates com uma velocidade que a literatura científica não acompanhou. É fácil verificar isso sem sair da base pública de artigos revisados por pares. Basta ler os ensaios recentes em série, um atrás do outro, e olhar não para as conclusões, que costumam ser animadoras, mas para a primeira linha de cada método, aquela que diz quantas pessoas participaram e por quantas semanas. O padrão que aparece é consistente e desconfortável.

Entre os ensaios controlados localizados nesta apuração, as amostras vão de vinte a cinquenta e quatro participantes, e os programas duram de quatro a doze semanas. Nenhum deles é grande. Nenhum deles é longo. E vários comparam o reformer contra nenhum exercício, o que responde a uma pergunta bem mais fácil do que a que o mercado faz quando escolhe aparelho.

O que cada ensaio realmente mediu

Vale percorrer os números, porque eles são melhores do que qualquer resumo deles. Em Scientific Reports, Gökalp e Kirmizigil acompanharam 47 mulheres de 30 a 60 anos com índice de massa corporal de 25 ou acima, em oito semanas de reformer três vezes por semana [1]. Houve diferença significativa em composição corporal, com valor de p de 0,011, em força de preensão da mão e em resistência muscular, os dois com p relatado como 0,000, o que na prática significa abaixo de 0,001, e nas escalas de depressão e ansiedade, com p de 0,025 e 0,031. E houve uma coisa que não mudou. A qualidade de sono não diferiu entre os grupos, com p de 0,055. O ensaio está registrado sob o número NCT05176912.

Em BMC Psychology, Şahan, Uluğ e Özeren randomizaram 54 mulheres de 30 a 50 anos com dor lombar e cervical crônica, em seis semanas de reformer, quarenta e cinco minutos duas vezes por semana, contra um grupo que não recebeu exercício nenhum [2]. Os resultados favoreceram o reformer em dor, com tamanho de efeito indo de 0,17 a 1,45, o que vai de muito pequeno a grande dependendo da medida, e favoreceram também medo de movimento, fadiga e qualidade de sono. Duas medidas não se moveram, a subescala que trata da crença de que a dor tem causa orgânica e a que mede estratégias passivas de enfrentamento.

Dois ensaios fizeram a comparação mais interessante de todas, reformer contra mat, que é a pergunta que o estúdio faz na hora de investir. Em Scientific Reports, Şevgin, Postacı e Dikmen Hoşbaş acompanharam 45 mulheres com cólica menstrual intensa por doze semanas, em três grupos [3]. No grupo do reformer melhoraram depressão, qualidade de sono, intensidade de dor, fadiga e sintomas menstruais. No grupo do mat, sono e intensidade de dor não melhoraram de forma significativa, com p de 0,334 e 0,051. Em Journal of Bodywork and Movement Therapies, Kabul e colegas compararam os dois métodos em vinte pessoas com espondilite anquilosante, dez por grupo, em quatro semanas, e o reformer saiu na frente na atividade da doença e na fadiga [4].

Os outros dois casos ajudam a fechar o retrato. Em Work, Önal e Şavkın testaram reformer com e sem um programa adicional de organização das atividades do dia em vinte trabalhadores de escritório sedentários, ao longo de quatro semanas, e os próprios autores classificam o estudo como exploratório e os achados como preliminares [5]. Vale registrar o que eles encontraram de nulo, porque é instrutivo. O desempenho funcional melhorou nos dois grupos, sem diferença entre eles, e a fadiga geral e o domínio de ambiente da escala de qualidade de vida caminharam na direção favorável sem alcançar significância. Em PLOS One, Yılmaz, Kaplan e Batalik dividiram trinta jogadores de futebol em três grupos de dez, reformer, mat e controle, e mediram salto, sprint, agilidade, equilíbrio e habilidade técnica com bola [6]. O grupo que não recebeu nada não melhorou em nenhuma das medidas, o que é a informação que dá sentido às outras duas colunas.

Qual é o padrão que aparece quando se lê tudo junto

Três características se repetem em praticamente todos eles.

  • Amostra pequena. Vinte, vinte, trinta, quarenta e cinco, quarenta e sete, cinquenta e quatro. Em vários casos são dez pessoas por braço do estudo.
  • Programa curto. Quatro, seis, oito ou doze semanas. Nenhum dos ensaios localizados acompanha o praticante por um ano, e nenhum mede o que acontece depois que o programa termina.
  • Comparador fraco. Boa parte compara o reformer contra nenhum exercício. Quando o comparador é outro exercício, ele costuma ser o mat, que é a variante mais próxima possível, e não a musculação ou o treino funcional, que é contra quem o reformer disputa agenda e dinheiro na vida real.

Há um quarto traço, e ele é geográfico. Os seis ensaios citados acima têm autoria majoritariamente turca, e a maior parte é de centro único. Isso não invalida nada. Um ensaio bem conduzido em Ancara vale o mesmo que um ensaio bem conduzido em Boston. Mas quando um campo inteiro se concentra num punhado de grupos de pesquisa e num punhado de instituições, a chance de que particularidades locais, de protocolo, de população ou de aparelho, entrem no resultado sem que ninguém perceba é maior. Replicação por gente diferente, em lugar diferente, é o que resolve isso, e é justamente o que ainda não existe em volume.

O que ainda não foi medido

Vale ser preciso sobre o alcance desta afirmação. Nesta apuração, entre os ensaios localizados na base pública consultada, não foi encontrado ensaio grande, com centenas de participantes, conduzido em vários centros ao mesmo tempo e com acompanhamento de longo prazo, sobre o reformer especificamente. Isso é diferente de dizer que tal ensaio não existe em lugar nenhum. É uma afirmação sobre o que esta busca encontrou, e ela pode ser derrubada por qualquer leitor que aponte o estudo que passou.

Também não aparecem, nesses ensaios, os desfechos que costumam justificar a compra do aparelho na conversa comercial. Não há medida de redução de lesão ao longo do tempo, não há medida de aderência depois do fim do programa, não há comparação de custo por resultado contra alternativas mais baratas, e não há densidade óssea acompanhada por tempo suficiente para dizer alguma coisa. São exatamente as perguntas caras, e são exatamente as que estudos de oito semanas com quarenta pessoas não conseguem responder, por desenho, e não por descuido de quem os fez.

Nada disso é acusação contra o aparelho. Os resultados que existem são, em maioria, favoráveis, e os pesquisadores são transparentes sobre o tamanho do que fizeram. O problema não está no laboratório, está na distância entre o que foi medido e o que é afirmado na vitrine. Um ensaio de oito semanas com quarenta e sete mulheres sustenta a frase “melhorou força de preensão e escores de ansiedade nesse grupo”. Ele não sustenta a frase “transforma o corpo”, que é a que aparece na fachada.

Para quem dá aula, a consequência prática é boa, e não ruim. A evidência existente já autoriza dizer que o reformer produz ganho mensurável de força, de resistência e de indicadores de humor em populações específicas, em poucas semanas. Isso é bastante, e é verdade. O que ela não autoriza é a promessa sem sujeito e sem prazo. A diferença entre as duas frases é a diferença entre um estúdio que vai continuar de pé quando a moda passar e um que vendeu mais do que tinha.

Perguntas frequentes

O reformer funciona? Nos ensaios citados aqui, sim, para os desfechos medidos e nas populações estudadas. O que está em discussão não é o efeito, é o tamanho e a maturidade do conjunto de estudos que o sustenta.

Reformer é melhor que mat? Nos dois ensaios que compararam os dois diretamente, na cólica menstrual e na espondilite anquilosante, o reformer levou vantagem em parte das medidas. São quarenta e cinco e vinte participantes. É um sinal, não é uma conclusão.

O que é um ensaio controlado randomizado? Ensaio controlado randomizado é o estudo em que as pessoas são sorteadas para receber ou não receber a intervenção, para que a diferença entre os grupos não venha de quem escolheu o quê. É o desenho mais confiável para testar se algo funciona, e o sorteio é o que o separa da simples observação.

Por que o tamanho da amostra importa tanto? Porque em grupos pequenos o acaso pesa muito. Um punhado de participantes com resposta fora do comum é suficiente para mover a média do grupo inteiro, e é por isso que achados de estudos pequenos precisam ser repetidos por outros grupos antes de virarem recomendação.

Fontes

Laura Montenegro
Redatora Editorial · PILATES ARCHIVE