Um ensaio controlado publicado na PLOS One em 2025 fez a pergunta que qualquer preparador físico já fez em voz alta, se vale a pena colocar o aparelho no meio do treinamento ou se o solo resolve. Trinta jogadores de futebol foram sorteados em três grupos de dez, um de reformer, um de mat e um de controle que seguiu a rotina normal. As idades ficaram na casa dos vinte anos nos três grupos. Antes e depois, todos passaram pela mesma bateria de testes físicos e técnicos, incluindo salto, sprint, equilíbrio, flexibilidade, agilidade, condução de bola em velocidade e precisão de passe.
O primeiro resultado é o mais simples e o mais fácil de esquecer. O grupo controle não melhorou em nada. Nenhuma das medidas físicas ou técnicas mudou de forma significativa entre o começo e o fim, o que quer dizer que o ganho dos outros dois grupos não veio do calendário de treinos que todos faziam igual. Veio do que foi acrescentado.
Onde cada método ganhou
O grupo do reformer melhorou em salto contramovimento, salto horizontal parado, salto triplo com uma perna só nos dois lados, equilíbrio nas duas pernas, flexibilidade, sprint de 10 e de 20 metros, teste de agilidade, condução de bola em velocidade, teste de passe Loughborough e passe lobado. O grupo do mat melhorou em equilíbrio nas duas pernas, salto triplo com uma perna só nos dois lados, sprint de 5 e de 10 metros, teste de agilidade, condução em velocidade e passe lobado.
Aqui mora o detalhe que vale a leitura. As duas listas quase se sobrepõem, menos numa coisa, a distância da corrida. O mat apareceu nos 5 e nos 10 metros. O reformer apareceu nos 10 e nos 20 metros. Ou seja, o solo brilhou na arrancada e o aparelho brilhou quando a corrida ficou mais longa. Nenhum dos dois foi testado com o objetivo de mostrar isso, e o estudo não oferece explicação para a diferença, então ela fica como observação e não como mecanismo. Mas é o tipo de coisa que muda como um preparador decide onde encaixar cada sessão dentro da semana.
Na comparação direta entre os dois grupos, e não de cada um contra si mesmo, o reformer saiu na frente em três medidas, o teste de agilidade, o teste de passe Loughborough e o salto triplo com uma perna só nos dois lados. Chama atenção que uma dessas medidas seja técnica e não física. Precisão de passe é a última coisa que se espera melhorar com exercício feito fora do campo, sem bola.
Agora o tamanho. São dez pessoas por grupo, o que é pouco por qualquer critério, e são jogadores de aproximadamente vinte anos, não elite profissional adulta. Todos os testes são de campo e de laboratório, nenhum é desempenho em jogo, com adversário, cansaço acumulado e decisão sob pressão. E há uma ausência que precisa ser dita com todas as letras. O estudo não mediu lesão. Prevenção de lesão é, na prática, o argumento mais usado para levar Pilates para dentro de um clube, e esse ensaio não traz nenhum dado sobre isso.
O que fica de utilizável é modesto e honesto. Em jogadores jovens, acrescentar Pilates ao treino melhorou marcadores físicos e técnicos que a rotina sozinha não melhorou, e o aparelho levou vantagem em parte deles. Para um estúdio que atende atleta, isso é argumento suficiente para uma conversa, e insuficiente para uma promessa. A diferença entre as duas coisas é o que separa quem vende Pilates de quem vende o que o Pilates ainda não provou.
Perguntas frequentes
O reformer é melhor que o mat para atleta? Neste ensaio, foi superior em três das medidas comparadas diretamente. Com dez jogadores por grupo, isso é um sinal, não uma conclusão fechada.
Serve para atleta profissional adulto? O estudo foi feito com jogadores de cerca de vinte anos. Estender o resultado para outro nível competitivo é suposição, não é achado.
E lesão? Não foi medida. Qualquer afirmação sobre prevenção de lesão apoiada neste ensaio está apoiada em algo que ele não olhou.
Fontes
Tábata Moraes
Redatora · PILATES ARCHIVE
