Uma pesquisa da ClassPass divulgada pela Forbes em agosto ouviu 910 usuários ativos da plataforma, nos Estados Unidos e em mercados internacionais. Entre os participantes de 18 a 34 anos, 53% disseram ter reservado um treino ou uma experiência de bem-estar no lugar de uma saída noturna no último ano, e 51% disseram já ter chamado um amigo para treinar em vez de sair para beber. O horário que era do bar está sendo ocupado por uma aula, e com companhia. Tudo ali é comportamento declarado pelo próprio usuário, e não observação de campo, o que já define o tamanho da conclusão possível. Ninguém mediu quem foi à aula, mediram quem disse ter ido e por quê, o que descreve intenção e hábito, e não prova causa.
O número mais interessante é o de dentro da sala. Nesse mesmo grupo de 18 a 34 anos, 53% disseram já ter usado uma aula para colocar a conversa em dia com alguém, e 44% disseram ter feito uma amizade nova ou uma conexão significativa por meio de uma aula reservada na plataforma. Manter vínculo aparece mais do que criar vínculo, e essa ordem é o contrário do que a conversa sobre treino em grupo costuma sugerir, que é a da aula como lugar de conhecer gente nova. Fora dessa faixa mais jovem o comportamento diminui sem sumir, com 42% dos usuários de 35 anos ou mais escolhendo bem-estar no lugar da noite. A queda existe, e ela é menor do que a conversa sobre geração costuma prometer.
Um segundo recorte da mesma pesquisa ajuda a ler o primeiro, e veio pela cobertura da Athletech News. Entre quem trocou a noite pelo treino, 49% relataram amizade nova, contra 37% entre quem não fez essa troca. A base é outra, não é a faixa de 18 a 34 da Forbes, então os dois números não se somam nem se contradizem, e misturar as bases seria erro. O que eles sugerem juntos é que a diferença não está em frequentar a aula, está em ela ter substituído o programa daquele horário. Duas ressalvas de escopo, e não são detalhe. É pesquisa com usuários de uma plataforma de reservas, e não com praticantes de Pilates, e a reportagem cita o estúdio de Pilates só como exemplo, sem dado da modalidade.
Mesmo com esse limite, para quem toca estúdio isso mexe com uma coisa que já está na grade. Horário fixo semanal junta as mesmas pessoas na mesma sala com regularidade, e é esse tipo de participação recorrente e de ritual compartilhado que a reportagem aponta como o que constrói convívio. Quem chega acompanhada resolve, numa hora só, duas coisas que brigam pela mesma agenda, movimento e companhia. Se o padrão se repete no Pilates, o dado não diz, e no Brasil não existe levantamento equivalente publicado. Enquanto isso, o que dá para observar sem pesquisa nenhuma, e sem esperar levantamento nenhum, são os cinco minutos antes e os cinco depois da aula, e quem fica conversando neles.
Fontes
- Forbes, Jeff Fromm, “Gen Z’s New Social Network May Be The Fitness Studio”, 2026
- Athletech News, cobertura da pesquisa ClassPass com 910 usuários ativos
Tábata Moraes
Redatora · PILATES ARCHIVE
